Rosácea é desse planeta?

Algumas doenças de pele podem ser desconhecidas por muita gente, mas, se analisadas por um médico especialista, o mistério chega ao fim

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Rosácea é desse planeta sim e tem tratamento. De acordo com o dermatologista e coordenador do curso de medicina da Unimar (Universidade de Marília), Heron Fernando de Sousa Gonzaga, trata-se de uma doença inflamatória que compromete a pele, sendo mais frequente em mulheres de idade entre 30 e 50 anos. “Manifesta-se como manchas vermelhas no rosto, com raras pústulas (formação de pus). Com a evolução, pode ter um crescimento do tecido nasal, o que é chamado de rinofima. Essa doença tem uma grande influência dos fatores emocionais, piorando muito o quadro com estresse emocional, que é uma constante atualmente na maior parte das pessoas. Também como fatores de piora temos a exposição solar – o que fortalece a importância do uso do fotoprotetor -, e a ingestão de bebidas alcoólicas, sendo fundamental a suspensão ou pelo menos a diminuição do consumo. Pode também piorar no período do inverno”, destaca o médico.

Ainda segundo o dermatologista de Marília, é fundamental a procura de um médico, de preferência da área, especialista pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia). “Os pacientes devem sempre checar se o profissional é especialista pela sociedade de classe, como a SBD”, complementa.

Aproximadamente 30% dos casos de rosácea têm uma história familiar positiva

Gonzaga alerta sobre tratamentos alternativos. “Tratamentos caseiros devem ser evitados, pois é importante que se faça uma consulta com o especialista para indicação de um tratamento correto e adequado. Os tratamentos devem ser realizados mais rapidamente para se evitar, por exemplo, desenvolvimento do rinofima”, ressalta.

Atualmente, existem tratamentos eficazes e, se o paciente seguir a orientação médica, fazendo as mudanças de vida, poderá entrar em remissão (ficar sem nenhuma manifestação clínica da doença).

Conforme instruções da SBD, o tratamento se inicia com sabonetes adequados; protetor solar com elevada proteção contra UVA e UVB e com veículo adequado à pele do paciente; e uso de antimicrobianos tópicos (metronidazol) e antiparasitários (ivermectina). Depois dessa fase, pode ser preciso o uso de derivados de tetraciclina (doxiciclina e outros) orais. Em casos persistentes e recidivantes, se utiliza isotretinoína oral em dose baixa.

Doença se manifesta através de manchas vermelhas no rosto, com raras pústulas (formação de pus)

Alerta para sintomas

A rosácea é uma doença que afeta a pele principalmente da região centrofacial. Caracteriza-se por uma pele sensível, geralmente mais seca, que começa a ficar eritematosa (vermelha) facilmente e se irrita com ácidos e produtos dermatológicos, no geral.

Paciente deve evitar tratamentos caseiros e priorizar orientação médica

Aos poucos, a vermelhidão (eritema) tende a ficar permanente e aparecem vasos finos, pápulas e pústulas que lembram a acne, podendo ocorrer edemas e nódulos. Frequentemente, segundo informações da SBD, surgem sintomas oculares, de olho seco e sensível à inflamação nas bordas palpebrais.

Curiosidades

A origem da rosácea ainda não é conhecida. Há uma predisposição individual (mais comum em brancos e descendentes de europeus) que pode ser familiar (30% dos casos têm uma história familiar positiva), evidenciando uma possível base genética. Há forte influência de fatores psicológicos (estresse).

Hoje, considera-se importante a participação de um ácaro da flora normal da pele chamado de “Demodex folliculorum”, e da bactéria “Bacillus oleronius”, que colonizam esse fungo. A presença de eritemas e telangiectasias (vasos capilares finos) na região central da face, acompanhadas de pápulas e pústulas, geralmente não oferece dificuldade no diagnóstico da rosácea. O paciente pode fazer um diário das pioras (e das remissões) relacionando isso às suas atividades, alimentação, estresse e outros fatores.

“Existem quatro tipos clássicos de rosácea: Eritemato-telangectasica – Subtipo 1; Papulopustuloso – Subtipo 2; Fimatoso (Rinofima) – Subtipo 3; e Ocular – Suptipo 4, que pode acompanhar qualquer um dos outros e vir sozinho também”, informa a SBD.

● Heron Fernando de Sousa Gonzaga é dermatologista e coordenador do curso de medicina da Unimar

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