O ensino rural e suas particularidades

ETEC Paulo Guerreiro Franco recebe alunos, inclusive internos, para ensino em agropecuária e em administração com aulas teóricas e práticas, desenvolvendo conscientização de sustentabilidade

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Na contramão com as escolas de ensino convencional, a ETEC Paulo Guerreiro Franco, localizada há 3 km da cidade de Vera Cruz, traz atividades práticas integradas com a didática. A partir do 9º. ano , o ensino médio é integrado com o técnico, habilitando o aluno para ingressar na faculdade.

A ETEC Paulo Guerreiro Franco é uma das 34 escolas agrícolas na região rural do Governo do Estado de São Paulo, vinculada à instituição Centro Paula Souza. Atualmente, ela conta com 254 alunos da região, sendo 10 alunos internos, porque moram em cidades distantes ou em localidades de difícil acesso. No entanto, são orientados em ir para casa a cada 20 dias para alimentar o vínculo familiar.

Para ingressar na escola, que abre 40 vagas para cada curso por ano, o aluno é selecionado por meio de vestibulinho. E, sua matriz curricular consiste em metodologia ativa, colocando o aluno em busca do ensino, por meio de pesquisas e seminários. Segundo a diretora da escola, Sonia Vernaschi, a matriz curricular consiste que o aluno seja o protagonista, seja ele aluno urbano que se identifica com as áreas de agronomia e veterinária ou aluno rural.

A escola sem muros e portões, com área de 35 alqueires, mas com regras a serem seguidas, oferece, também, curso noturno no setor de processamento de produtos agroindustriais com conscientização ecológica.

Durante as aulas, a prática em concordância com a teoria proporciona mais aprendizado como, por exemplo, uma matéria de matemática é usada para medir canteiros, calcular silos… Assim como uma aula de biologia com a prática realizada na mata ciliar –área de preservação-, assim como a análise do Rio da Garça que corta a escola e foi reflorestado ao longo de 30 anos, e hoje é habitat para macacos e quatis. Informou, Fernando Pelozo, que também fala dos biodigestores que trata dos dejetos e compostagem orgânicas que se transformam em adubos usados nas agriculturas cultivadas pela escola.

Aulas práticas em hortas e conhecimento básico de cultura orgânica

A sustentabilidade, incluindo a fauna e a flora num mesmo círculo de educação é aplicada também na gestão ambiental da área de preservação permanente e limpeza da nascente do rio da Garça que oferece parte do consumo de água para os alunos, depois de clorada.

Os produtos colhidos nas hortas de culturas anuais e perenes e, a carne, ovos e leite dos animais de pequeno, médio e grande porte são adquiridos pela cozinha terceirizada, que conta com nutricionista, que oferece até oito refeições elogiadas pelos alunos. O restante é comercializado na feira de Vera Cruz e em vans ambulantes pela cidade.

Didática

Aulas práticas em hortas e conhecimento básico de cultura orgânica e 8 horas de cultivo protegido e viveiro com trabalhos coletivos e com conscientização.

Lembrando que recebe adolescentes de 14 a 15 anos, por 3 anos, as regras são aplicadas, por se tratarem de pessoas com educação e histórias de vida diferentes. Inclusive, a liberação de sinal de internet é feita em horários determinados pela escola, proporcionando ao aluno mais foco nos estudos.

As aulas acontecem das 7:30h às 15:45h, mas a escola oferece aos interessados, trabalho voluntário com atividades de fazenda, certificando os alunos pela Cooperativa Escola dos Alunos da ETEC Paulo Guerreiro Franco. Já nos finais de semana, para os internos, há escala com afazeres na horta.

Estrutura

  • Alojamentos femininos e masculinos
  • Salão de jogos, campo e quadra poliesportiva
  • Laboratório de informática
  • Sala de TV
  • Biblioteca com acervo geral e técnico atualizados
A escola abre 40 vagas para cada curso por ano, o aluno é selecionado por meio de vestibulinho.

Para alunos entrevistados, todo tempo é livre para estudar, além de poder fazer estágio e as amizades ganham mais vínculos.

É coisa de mulher, também!

Ao longo de 5 anos, a demanda é mais alunos regionais. Ao todo são 254 alunos, com 100 internos das mais diversas regiões, porém a maioria de Marília.

No entanto, segundo a diretora, o que antes era uma área tradicionalmente masculina, ao longo de 5 anos as mulheres tem procurado mais.

Maria Eduarda de Paula, de 15 anos, é aluna do segundo ano e interna na ETEC, disse que sempre teve vivência no campo, apesar de morar na zona urbana, e é apaixonada por animais. Contudo sua intenção era graduar-se em veterinária, mas declara “A escola apresenta muitas possibilidades, por isso estou em dúvida.” Mas confessa, “gosto de fazer estágio na suinocultura”.

E depois?

Segundo a diretoria, o diferencial do curso é preparar o aluno para o mercado de trabalho. Educar para a vida, estimular a autonomia e autoestima, conscientização de respeito ao próximo e superação de obstáculos são convergidos pelo serviço de orientação educacional que acompanha os estudos e comportamento, indicando terapias quando necessário.

No entanto, o aluno sai preparado com a didática, a prática e com inteligência emocional. Porque a escola foca no desenvolvimento da competência do aluno, ensinando-o, educando-o e conscientizando-o.

Com isso, a vaga de emprego, após a conclusão do curso é praticamente garantida, porque fazendas, cooperativas e comércio da área sempre requerem os formandos.

Há ainda, os que seguem a área acadêmica, tanto agronomia como veterinária, áreas de crescimento potencial no Brasil.

Para o aluno Dawlow Gabriel Batista Gomes, de 16 anos, e mora há 2 anos na ETEC, indicada por um amigo que manipulava gado e agricultura com ele, considera que a teoria com a prática proporciona mais conhecimento se tornando mais fácil de assimilar as matérias. Depois de um seminário que teve que apresentar, ele diz “Pretendo fazer faculdade de zootecnia e dar aulas”.

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